Disputa histórica

Foto por cottonbro em Pexels.com

Depois de 24 anos, a cidade de Feira de Santana, a 108 km de Salvador, precisará de um segundo turno para eleger seu próximo prefeito. No páreo, estão o deputado federal Zé Neto (PT) e o atual prefeito Colbert Martins (MDB), que assumiu a cadeira após José Ronaldo (DEM) renunciar para disputar o governo do Estado dois anos atrás. O resultado das urnas no último domingo reflete, entre outras coisas, um possível desgaste do grupo do democrata e um desejo de renovação por parte da população.

Segundo dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Zé Neto obteve 119.862 votos (41,55% dos votos) e Colbert Martins, 110.146 (38,18% dos votos). Agora, no próximo dia 29, eles se enfrentarão novamente, e o apoio dos candidatos derrotados poderá determinar (ou não) a vitória. Até o momento, José de Arimatéia (Republicanos) e Carlos Geilson (Podemos) declararam apoio a Colbert, e Carlos Tourinho (PSB) marchará com Zé Neto. O PSOL, que disputou a eleição com a candidata Marcela Prest, marcou uma coletiva de imprensa para hoje, e a expectativa é que anuncie apoio ao petista. Dayane Pimentel (PSL) se mantém neutra, e Orlando Andrade (PCO) e Carlos Medeiros (NOVO) até o momento não se pronunciaram.

Nos bastidores, apoios dos caciques também são vistos como essenciais. No caso da campanha de Colbert, a leitura feita por aliados é que o prefeito de Salvador e presidente nacional do Democratas, ACM Neto, precisará atuar de forma ainda mais ostensiva. Com todas essas forças unidas, acreditam que o emedebista conseguirá o percentual necessário para alcançar a vitória.

Adversária ferrenha do PT desde que se elegeu deputada federal, na onda bolsonarista de 2018, Dayane Pimentel poderia transferir seus votos mais facilmente a Colbert, mas, nesta semana, ela deixou claro que isso está fora de cogitação. “O meu voto Colbert Martins não vai ter jamais”, disse à imprensa. “Eu me candidatei a prefeita dessa cidade porque não concordava com os anseios políticos dos últimos tempos, se me coloquei a disposição, é entendível que o que nós buscamos é a mudança. Sou neutra, meus eleitores estão livres para votar em quem quiser”, acrescentou.

Independentemente do resultado, é certo que a disputa eleitoral deste ano em Feira de Santana ficará marcada na história, tanto pela ausência de segundo turno nos últimos 24 anos quanto por seu caráter acirrado. Analistas políticos da cidade, inclusive, alertam para o risco de se fazer apostas sobre o resultado. Ao site local “Acorda Cidade”, o jornalista Glauco Wanderley avalia: “Ninguém vai conseguir com facilidade, porque não houve vantagem e isso é claro. A disputa é acirrada. É a máquina do governo do Estado contra a máquina do município, que é uma estrutura muito azeitada e consolidada pelo ex-prefeito José Ronaldo ao longo de 20 anos e, com certeza, não é fácil derrotá-lo. Ao mesmo tempo, também interessa para o grupo do prefeito ACM Neto, em Salvador, candidato com certeza (ao governo da Bahia) em 2022”. A conferir.

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