Caderno de viagem: Campos do Jordão

Chegamos a Campos do Jordão às 13h40 de um sábado ameno. Embora a temperatura não passasse dos 15º, o sol que se infiltrava pelas nuvens cor de chumbo garantia um clima agradável, bem diferente do frio constante que enfrentáramos na capital paulista, no dia anterior.

A experiência revelou-se única já na entrada da cidade, com o contraste entre as casas em estilo alemão e normando e as habitações paupérrimas nas encostas verdejantes. Pelo visto, a desigualdade social, elemento marcante da realidade brasileira, também integrava a vida daquele que era destino preferido de muitos milionários e famosos de todo o país.

Após um engarrafamento de 40 minutos, chegamos ao Parque Estadual Campos do Jordão (também conhecido como Horto Florestal), espécie de oásis de inverno em meio à densa floresta de araucárias e pinheiros. Ali funciona o badalado restaurante Dona Chica, cujo menu vai de bolinho de pinhão (semente da araucária, vendida aos punhados por ambulantes nas ruas da cidade) a truta grelhada. Famintos, André, Caio e eu desistimos de comer lá quando uma recepcionista mal humorada nos informou que havia DEZENOVE mesas na fila de espera.

Acabamos comendo hambúrgueres num food-truck a uns cem metros do Dona Chica. Também pedimos três drinks de frutas vermelhas, uma das quais era “tomate de árvore”, fruta típica da região. O pedido, que também incluiu uma água com gás, totalizou R$ 185.

Depois do parco e caro almoço, fizemos uma trilha com cerca de 2,7 km que serpenteava pela mata e subia a colina, para sair praticamente no mesmo local por onde havíamos entrado. Embora tenha durado poucas horas, a experiência daquela tarde compensou toda a viagem.

Mas não nos preparou para o frio de 3 ºC que enfrentaríamos à noite. Chegamos ao apartamento que alugamos pelo Airbnb às 19h. O isolamento térmico era péssimo, o que me obrigou a dormir com duas calças, três casacos, gorro, meias, luvas de lã e mais dois cobertores.

Às 20h, fomos jantar no restaurante Küche, localizado no escandaloso Hotel Ort, onde se hospedam as celebridades que vão curtir o frio. Apesar da pompa, os pratos eram apenas levemente mais caros do que já estávamos acostumados a pagar na Bahia. Pedi polvo com purê de batata-roxa, cebola e batata (R$ 85).

Polvo com purê de batata roxa

A noite terminou para nós depois da meia noite, ao redor de uma fogueira no alto de uma colina enevoada e assolada por um vento gelado. Para chegarmos, dirigimos por 20 minutos em uma estrada cada vez mais íngreme, deserta e escura. Cenário de filme de terror. Além de nós três, estavam ali oito funcionários do hotel onde havíamos acabado de jantar, incluindo a recepcionista que nos levara à mesa e algumas babás dos filhos dos hóspedes milionários.

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