O medo que nos paralisa

Foto por MART PRODUCTION em Pexels.com

Minha grande dúvida era como começar esta crônica. Sento na cama, caneta e caderno no colo (às vezes escrevo à mão) e as palavras se recusam a ir para o papel. Me percebo com medo – de não começar do jeito certo, não conseguir ser claro o suficiente. E provavelmente este talvez não seja mesmo o início mais instigante que você tenha lido.

Mas, enquanto desabafo sobre meu pequeno martírio, noto um fato interessante: não apenas comecei o texto como ele já caminha para o segundo parágrafo. E já dei um bom exemplo sobre o tema que pretendo abordar: o medo que nos paralisa.

Martha Medeiros escreveu certa vez que o excesso de opções oferecidas pela vida moderna criou jovens infantilizados, que adiam suas decisões para não correr o risco de errar – algo considerado inadmissível por eles.

Na minha ótica, o pior tipo de medo é o que sentimos após períodos de bravura e de decisões importantes que nos proporcionaram uma vida relativamente confortável. Mesmo querendo manter o ciclo de prosperidade, evitamos qualquer atitude ousada por medo de perder tudo ou parte do que conquistamos. E quando nos damos conta, já somos adultos frustrados e apegados às nossas zonas de conforto, resignados com a monotonia da rotina e esperando ansiosamente o fim de semana, os feriados prolongados, as férias, a aposentadoria, a morte.

Até posso acreditar que algumas pessoas lidem bem com isso, mas não consigo passar mais de seis meses sem pensar em buscar novos desafios. Por mais que estejamos bem, as situações não duram para sempre e optar pela estagnação e o comodismo pode trazer mais prejuízos do que imaginamos.

Publicado originalmente no site BNews, em 26 de março de 2019.